Tenho tido muito saudade da praia esses dias.Nesses dias de calor escaldante, no concreto armado sobre a chapa quente da cidade, a sombra dos toldos não me esfria o corpo, os alicerces que me distanciam do chão fervente me aproximam do sol despudorado.
A chuva na praia era coisa de se sorrir, a chuva não era triste, lá não havia dificuldade reconhecida, tudo era assim e assim devia ser, sem reclamar, simplesmente não havia com o que se preocupar, só com meu avô, se ele ia voltar do mar. E com meu irmão e seus traumas brancos, desconhecidos. Minha vó ficava de olho nele, até precisarem ficar de olho nela e o mar encantá-la.Minha mãe me penteava os cachos molhados no batente do portão e catava piolho do meu irmão. O banho de mar era diáro, a água fria, o sal, purificava o que era tão puro.
Talvez, isso seja só outra maneira de dizer que os problemas existiam em qualquer lugar e as coisas boas também, mas na praia eu era criança, e hoje já não sou.
E quando passo pelo mercado público da cidade e meus pés descobrem no chão rabos de peixe, a água salgada invade meus olhos.
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Nossa, eu amo o jeito que você escreve.
ResponderExcluirHeitor veio não sabia que tu escrevia assim 0.0
ResponderExcluirtirei o chapéu :D