Era domingo,e eu estava passando na frente de uma igreja, de carro, com meu pai, eu estava no banco de trás, tinha quinze anos, tenho; por que isso me aconteceu logo hoje de tarde, tudo numa só tarde, eu acho que foi grave, eu ousei.
Eu via (e vejo) toda vez que agente passsa na frente de uma igreja, a minha avó fechar os olhos e colocar a mão no coração durante alguns intantes. Ocorreu à mim a mesma idéia quando eu passava na frente da igreja em que meus pais se casaram, enfim, não sei se tem alguma ligação, mas Deus sabe mesmo o que faz, se é que foi ele, eu nem sei se acredito, mas acho muito bonito se ter fé; e tenho, na minha mãe que é solteira e totalmente independente.
Mas todavia, me deu vontade de fazer isso, avistei a igreja rosa, fechei os olhos e coloquei minha mão junto ao local do coração, eu senti uma coisa que eu nunca tinha sentido na minha vida de uma decáda e meia, eu com a mão no peito, senti vontade de me acariciar. Sei que parece proibido, que ninguém leia isso, e desculpe não sentir muita culpa embora sinta alguma. Com os olhos fechados soltei meu cabelo preso com uma piranha amarela de 50 centavos, e passei a mão nos meus peitos (não gosto de falar seio parece-me pedante), meus peitos são daqueles cobertos de sardas, modéstia parte: lindos, me desejei de alguma forma, nunca tinha me sentido assim, nunca tinha me preocupado com sexo, masturbação, filme pornô, ou coisas assim. Estava indo pra casa da minha vó, chegamos, meu pai que não perceberia o que eu tinha cometido, nem se eu o arracasse do volanta para lhe mostrar, se emburacou rapidamente no bar mais próximo, eu entrei, dei um beijo em cada bochecha velha da minha vó: me ocorreu quantos beijos aquelas bochechas já levaram, mas rapidamente me voltou o desejo, dos meus peitos (?)
É meio narcisita né?É , de qualquer forma, eu fui no (ao banheiro seria certo, mas eu tô aqui toda errada mesmo) banheiro, abaixei a blusa e fiquei olhando meus peitos, pensei em como seriam os da minha avó, e me senti muito bonita, afinal nem precisa de sutiã, coloquei uma das minhas mãos no peito esquerdo, não me lembro qual mão foi, caminhei até o espelho naquele banheiro branco e enorme, e vi uma menina alta com peitos bonitos, UM peito, por que o outro estava coberto, pensei em como seria bom que me fotografassem nua, me senti A estrela, na frente do espelho. Me deu vontade de tirar a roupa, minha mão desceu e tirou minha saia de estampa florida, a calcinha ficou. Aí seria demais; eu parei; me olhei de novo no espelho, eu vi aquela menina branca, de lábios carnudos, sarnas e cabelo liso (natural, diga-se de passagem), eu vi que aquilo era ridículo, me senti nojenta, coloquei bem rápido a blusa e depois a saia, e me culpei. Minha vó bateu na porta:
- Eii Adelaide, ainda há vida no banheiro?
Eu saí e me sentei à mesa assustada, meu pai chegou, não falou com minha vó e foi se servindo. A empregada, que me conhecia de longas conversas, perguntou:
- Por que tu tais tão pálida menina?
Meu pai respondeu:
- Essa menina sempre foi branca assim Carmem, puxou à família da mãe
- Nem todos viu? Minha irmã é quase preta, disse minha vó
E ficaram falando calmamente, nada que eu desse atenção, fiquei pensando no meu pecado, olhei pra bíblia, em cima do movél, repito não sou religiosa, e me obriguei a me sentir culpada, acho que eu tava assustada com meu sentimento em relação à mim mesma, nunca tinha me sentido assim, nunca tinha me tocado, eu já vi minha mãe e meu pai se tocarem profundamente e cinco meses depois minha mãe abortou naturalmente.
Enfim, beijei minha vó, na mão, fiz questão, cansei da bochecha dela, e peguei meu pai e fomos embora, trouxe comigo o que eu tinha aprendido ou não nessa tarde, acho que eu vi que eu não era só sentimento de desejo abstrato em relação à outro, vi que eu também significava algo pra mim: o meu corpo e mais. Ele também podia representar algo pra alguém, não é só amor que se sente, não sei se é errado, as vezes só se quer tocar e beijar, sentir gosto de outro, ou de si mesmo que às vezes é raro, e hoje eu tive uma prova disso.
Não é mais como nos livros cor de rosa, nem como nas músicas boas dos lp´s do meu pai, agora era a mesma coisa de sempre + outra coisa nova, não, não é específico, mas nunca vi pensamento direto levar à algo. Mentira leva sim, não tenho essa sorte, mas agora eu sei, que existe corpo, existe desejo, existe atração, existe a admiração, a vontade, mas acima de tudo: mesmo que para algo palpavél, existe amor.
E que ninguém leia isso!
Adelaide, 16/08/2009
domingo, 16 de agosto de 2009
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
E quando uma força irrefreavél encontra um objeto irremovivél?
Quando alguma coisa realmente inesperada, acontecer, um choque, pequenas catastrófes, você vai perceber, que há muito a se perceber, Nada do que lhe foi proposto é absoluto, absolutamente nada é completo, perceberás, um pequeno choque e tua vida toda muda.
A minha mudou, nada que afetasse minha rotina, talvez meus estudos, que desde o ano passado vem deixando muito a desejar, mas me mudou MUITO, por dentro, aquela minha parte secreta, que tem eco ilimitado:ela grita; e quando aconteceu: enlouqueci.
O total oposto de Heitor, lá atrás eu vi, e me intriguei, me entreguei, confesso, passaram-se meses, até a primeira troca de palavras. Mas quem precisa de palavras, quem precisa de fala, quem precisa de boca, quando se tem olhos, e logo dois. Me contentava em adimirar, em olhar (mentira), era tudo oque eu podia fazer mesmo. O que mais faria não ousaria tocar no que é proibido. Falar é fácil, com a boca, que não é tão nescessária quanto se pensava. Mas fazer, nem tanto. É difícil, e proibido.
Eu sei, como é amar sem conhecer, amar o que agente não conhece, simplesmente pelo fato de se sentir atraido, não sei se é desejo, tesão, vontade, impuro, errado; o relevante é que ERA, e é.
Quando eu olhava (e como olhava) eu me sentia, mais distante ainda, tu me liga ao mundo, és a minha amostra, o meu convite. Por que não largas as limitações, muta, muda, pra mim? Não.
Fica assim, que foi assim que te mirei, e nunca deves saber, imagina o escandâlo, como se me importasse. Eu que já me cobri de sargaço, pra te buscar no deserto, e quando mais te olho, mas sonho. E durmo melhor, mesmo só. é triste nutrir uma coisa que nunca se realizará. Mas eu não tenho outra opção, escrever é o que eu sei, e o que eu quero fazer agora.
O que eu sinto é irrefrevél, selvagem, primitivo, eu nem sei da onde vem, mas vem do fundo. Caramba, me sinto errado, sei lá, mas eu não tenho culpa. Como se isso mudasse as coisas. Não muda, parece que nada muda, eu pensei que tinha me libertado do que eu tinha por ti, mas não, nem tão cedo, tá difícil.
Enfim, o que eu quero dizer com esse "testemunho", é que o maior crime é a inibição, é a proibição do que não é errado, é a hipérbole, do que tá dentro da gente e agente não vomita!
Eu vomito, pelo menos aqui no blog, mas sei que tu não sabes, nem fazes idéia, nem eu sei de tu, mas sei que te amo, tu me sopra vida, me floresce, tu tens algo que só as crianças têm: a pureza, a inocência, e a ânsia tremenda pela vida.
O mundo não é tão bom assim, pra tu que és tão inocente,
O mundo não é tão ruim assim, pra tu que tens esperança,
O mundo não é;
Pra quem é inibido, e procura no outro sua maior diferença, ou semelhança, semelhança, evidente, mas a diferença? agente descobre e aceita depois né?
Tomara.
Amém
A minha mudou, nada que afetasse minha rotina, talvez meus estudos, que desde o ano passado vem deixando muito a desejar, mas me mudou MUITO, por dentro, aquela minha parte secreta, que tem eco ilimitado:ela grita; e quando aconteceu: enlouqueci.
O total oposto de Heitor, lá atrás eu vi, e me intriguei, me entreguei, confesso, passaram-se meses, até a primeira troca de palavras. Mas quem precisa de palavras, quem precisa de fala, quem precisa de boca, quando se tem olhos, e logo dois. Me contentava em adimirar, em olhar (mentira), era tudo oque eu podia fazer mesmo. O que mais faria não ousaria tocar no que é proibido. Falar é fácil, com a boca, que não é tão nescessária quanto se pensava. Mas fazer, nem tanto. É difícil, e proibido.
Eu sei, como é amar sem conhecer, amar o que agente não conhece, simplesmente pelo fato de se sentir atraido, não sei se é desejo, tesão, vontade, impuro, errado; o relevante é que ERA, e é.
Quando eu olhava (e como olhava) eu me sentia, mais distante ainda, tu me liga ao mundo, és a minha amostra, o meu convite. Por que não largas as limitações, muta, muda, pra mim? Não.
Fica assim, que foi assim que te mirei, e nunca deves saber, imagina o escandâlo, como se me importasse. Eu que já me cobri de sargaço, pra te buscar no deserto, e quando mais te olho, mas sonho. E durmo melhor, mesmo só. é triste nutrir uma coisa que nunca se realizará. Mas eu não tenho outra opção, escrever é o que eu sei, e o que eu quero fazer agora.
O que eu sinto é irrefrevél, selvagem, primitivo, eu nem sei da onde vem, mas vem do fundo. Caramba, me sinto errado, sei lá, mas eu não tenho culpa. Como se isso mudasse as coisas. Não muda, parece que nada muda, eu pensei que tinha me libertado do que eu tinha por ti, mas não, nem tão cedo, tá difícil.
Enfim, o que eu quero dizer com esse "testemunho", é que o maior crime é a inibição, é a proibição do que não é errado, é a hipérbole, do que tá dentro da gente e agente não vomita!
Eu vomito, pelo menos aqui no blog, mas sei que tu não sabes, nem fazes idéia, nem eu sei de tu, mas sei que te amo, tu me sopra vida, me floresce, tu tens algo que só as crianças têm: a pureza, a inocência, e a ânsia tremenda pela vida.
O mundo não é tão bom assim, pra tu que és tão inocente,
O mundo não é tão ruim assim, pra tu que tens esperança,
O mundo não é;
Pra quem é inibido, e procura no outro sua maior diferença, ou semelhança, semelhança, evidente, mas a diferença? agente descobre e aceita depois né?
Tomara.
Amém
sábado, 1 de agosto de 2009
Avenida, Boa Viagem!
A casa era toda muito impessoal, menos o quarto da sua mãe, que aguardava a morte para se mudar, ah, e o quarto da empregada que esbanjava personalidade com suas calcinhas coloridas penduradas na escada de aluminio, eram as duas honestas da casa, minto, a mulher em questão também era franca, franca com a sua incapacidade de ser ela. Posso estar tremendamente enganado, ela pode ser isso mesmo, plástico, mas parece que o que ela mais quer é se projetar mais pra fora de si, o que ela pensa que ela é, busca fora, e longe, não em volta, mas lá lá lá fora mesmo. Enquanto sua verdadeira essência, sua verdadeira forma, se dissipava, num bafo frio por suas entranhas.
Era assim a casa, entrava-se sempre pela cozinha se não fosse visita extraordinária. A cozinha feita sob medida, num branco enjoativo, que junto com o azulejo também branco dava a sensação de fila de lojas americanas no Domingo ( você tá cercado mas ainda muito só). O que salvava eram os detalhes laranja, nos copos e nos potes, e a galinha de arame que guardava os ovos de outras galinhas, ( afinal todo mundo tem que ser feliz) repito que posso estar muito errado, mas de qualquer maneira isso nao se baseia em ninguém ( mentira). Mas é só inspirado. (juro)
A sala era de uma cor que não tem nome, talvez bege, ou creme, azul talvez, NÃO! Aquilo é cor de bom gosto, e o bom gosto para quem não sabe está sempre o mais longe possivél de você.
Sabe quando você vai numa loja de móveis e é tudo lindo e aconchegante, e você pensa isso nunca vai me pertencer, aí você compra o conjunto, e insatala, e tá lá igual a da loja na sua casa! Mas depois das horas de secura o que você sente é o bafo empoeirado do ar-condicionado da loja, e de fato nunca lhe pertenceu.
Acho que era assim ela nunca havia se pertencido. Pode ser erro meu, mas ela calculava bem oque ia fazer. Não, nunca foi pessoa ruim a adoravam, eu a adoro, principalmente assim na minha frente, romanceada; mas é ela, ou melhor nunca foi, acho eu.
Até o dia que ela esperava: a mãe foi-se, mas não por morte; não aquela nem tão cedo: casou-se, e conto mais: foi por amor. A gora era só ela e a empregada, era só o apartamento e a empregada, só a loja de móveis e a empregada. A empregada também se foi, presa: a vadia explorava a mãe.
Só o apartamento vazio, as portas nem se abriam, principalmente a da cozinha. Se alguma abrisse seria a da sala. E assim esperando se perdeu, mas ninguém percebeu, afinal ela continuava no emprego, marido, carro, APARTAMENTO, ai amiga, ela era um sonho! Era mesmo. Mas as coisas são sempre mais do que parecem, muito maiores, há reverberações nas cabeças dos cílios dos microorganismos (hã?), e esse sonho cansava. Eu sei por experiência próxima (porque própria é muito perigoso) que os sonhos custam muito, não falo de dinheiro que como eu já falei ela era casada.
Mas ela acordou. Foi no antigo quarto da mãe, onde guardava as toalhas, viu: uma rachadura no teto, aquelas que ainda por cima têem infiltrações marrons. Sua primeira idéia era chamar um pedreiro, ou algo assim, mas antes que ela pudesse chama-lo a rachadura cresceu tão rápido que ela ficou de cor de bom gosto, a cor que era dela mesmo, aquela de vitrine, sabe?
Apartamento condenado, muita água pouco cimento, mas ela ainda tinha o marido que a amava e ama, agora vive na casa da mãe, até receber a indenização (iiih se lascou), e foi na casa da mãe que ela se sentiu muito perdida, em meio à tantas fotos e recordações, foi na loucura, da poeira de anos, da porcelana, e do jerimum de sua mãe que ela se encontrou, numa foto, na estante da sala branca mesmo, mas cheia de quadros, e nas almofadas estampadas com cisnes, as bregas mesmo, ela se viu. Pega agora teu pé e fica olhando pra ele, já o tinha notado? ele tem cabelo? É estranho, o meu pareceu-me impessoal, quando o vi de fora, e era esse o problema dela, com a foto na mão se viu por dentro, não sei, nem entendi. Mas agora ela viu, que havia mais pegadas na areia do que só as dela.
E a galinha de arame começou a não precisar mais da bandeja de ovos comprada no bompreço.
Era assim a casa, entrava-se sempre pela cozinha se não fosse visita extraordinária. A cozinha feita sob medida, num branco enjoativo, que junto com o azulejo também branco dava a sensação de fila de lojas americanas no Domingo ( você tá cercado mas ainda muito só). O que salvava eram os detalhes laranja, nos copos e nos potes, e a galinha de arame que guardava os ovos de outras galinhas, ( afinal todo mundo tem que ser feliz) repito que posso estar muito errado, mas de qualquer maneira isso nao se baseia em ninguém ( mentira). Mas é só inspirado. (juro)
A sala era de uma cor que não tem nome, talvez bege, ou creme, azul talvez, NÃO! Aquilo é cor de bom gosto, e o bom gosto para quem não sabe está sempre o mais longe possivél de você.
Sabe quando você vai numa loja de móveis e é tudo lindo e aconchegante, e você pensa isso nunca vai me pertencer, aí você compra o conjunto, e insatala, e tá lá igual a da loja na sua casa! Mas depois das horas de secura o que você sente é o bafo empoeirado do ar-condicionado da loja, e de fato nunca lhe pertenceu.
Acho que era assim ela nunca havia se pertencido. Pode ser erro meu, mas ela calculava bem oque ia fazer. Não, nunca foi pessoa ruim a adoravam, eu a adoro, principalmente assim na minha frente, romanceada; mas é ela, ou melhor nunca foi, acho eu.
Até o dia que ela esperava: a mãe foi-se, mas não por morte; não aquela nem tão cedo: casou-se, e conto mais: foi por amor. A gora era só ela e a empregada, era só o apartamento e a empregada, só a loja de móveis e a empregada. A empregada também se foi, presa: a vadia explorava a mãe.
Só o apartamento vazio, as portas nem se abriam, principalmente a da cozinha. Se alguma abrisse seria a da sala. E assim esperando se perdeu, mas ninguém percebeu, afinal ela continuava no emprego, marido, carro, APARTAMENTO, ai amiga, ela era um sonho! Era mesmo. Mas as coisas são sempre mais do que parecem, muito maiores, há reverberações nas cabeças dos cílios dos microorganismos (hã?), e esse sonho cansava. Eu sei por experiência próxima (porque própria é muito perigoso) que os sonhos custam muito, não falo de dinheiro que como eu já falei ela era casada.
Mas ela acordou. Foi no antigo quarto da mãe, onde guardava as toalhas, viu: uma rachadura no teto, aquelas que ainda por cima têem infiltrações marrons. Sua primeira idéia era chamar um pedreiro, ou algo assim, mas antes que ela pudesse chama-lo a rachadura cresceu tão rápido que ela ficou de cor de bom gosto, a cor que era dela mesmo, aquela de vitrine, sabe?
Apartamento condenado, muita água pouco cimento, mas ela ainda tinha o marido que a amava e ama, agora vive na casa da mãe, até receber a indenização (iiih se lascou), e foi na casa da mãe que ela se sentiu muito perdida, em meio à tantas fotos e recordações, foi na loucura, da poeira de anos, da porcelana, e do jerimum de sua mãe que ela se encontrou, numa foto, na estante da sala branca mesmo, mas cheia de quadros, e nas almofadas estampadas com cisnes, as bregas mesmo, ela se viu. Pega agora teu pé e fica olhando pra ele, já o tinha notado? ele tem cabelo? É estranho, o meu pareceu-me impessoal, quando o vi de fora, e era esse o problema dela, com a foto na mão se viu por dentro, não sei, nem entendi. Mas agora ela viu, que havia mais pegadas na areia do que só as dela.
E a galinha de arame começou a não precisar mais da bandeja de ovos comprada no bompreço.
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