quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Elke 2


Quando eu consegui me livrar da nuvem de fumaça que Elke tinha jogado na minha cara respirei fundo e perguntei por que ela fumava.
-Porque eu realmente não tenho o que segurar todo tempo, se tivesse uma jandaia, quem sabe poderia sair com ela na mão passeando pela rua, mas tenho o cigarro.Se eu fosse cubana teria um charuto bem grosso, daquele sem filtro, claro, que a cada tragada tira cinco anos de vida.
-puta merda tu não vale muita coisa né?
Quando a nuvem se dispersou novamente e pude ver seu rosto, pintado, as bochechas brancas, não usava blush-coisa de boneca de porcelana, relíquias da guerra-os olhos pintados de preto, os cílios longos que balançavam nas lentas piscadas, a boca vermelha. O cabelo, o cabelo, a juba doirada de Elke. De certa maneira pressenti a resposta.
-Não. Eu não valho porra nenhuma. Quanto foi essa conta? Nada de dez por cento que esse garçon não fez merda nenhuma.
-Deu 34, deixa que eu pago.
-Que tu paga merda nenhuma. Toma
-Elke deixa que eu pago.
- Eu tenho cara de donzelinha é porra? Tu acha que eu penteio meu cabelo 7 vezes por dia, tu acha que eu uso sutiã quando vou na porra da padaria? Que viadagem escrota, toma essa merda dessse dinheiro.
Depois de me dar um baile Elke riu, com a boca aberta, daquele jeito bem se fodam, ninguém aqui paga minha conta. Rusada que as meninas odiavam
Discartei qualquer possibilidade de ficar com Elke. Eu realmente não a conhecia, e ainda não a conheço.

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