terça-feira, 1 de maio de 2012
Manhã de Terça
Manhãs acesas, que nos chamam
Fazem a cama carecer de sentido
Inveja dos que a sentem tão natural,
as que a fazem ser parte de sua camuflagem, ou de sua plumagem mais exuberante
Manhã pra mim, luz mais limpa não há, nem mais rara
A rotina me cortou pelo talo o prazer das manhãs úmidas
Me tirou a possibilidade de daqui vê-las
Só existem em dias de descanso comprido, quando acordar é um prazer
Para amar manhãs, há de se amar as mães
Que fazem das manhãs, na pia, no balcão, no chão do terraço
A coisa mais bonita, por que é o começo
Antes do café, antes da escola, e antes da faculdade, do mesmo modo, só que de outro, com mais sombras no rosto, e mais luz nos olhos.
Manhã é pra quem sabe, pra quem dança, e principalmente para quem escreve e pinta
Pois se criam mundos, quem dança joga pra fora, quem pinta, faz brotar em outro meio, o corpo só guia.
Manhã de danças e cantos, quando minha mãe canta sem jamais desafinar, e sem jamais aquecer a voz
Minha mãe canta com a boca, não sabe bem do diafragma, nem da garganta
Ela simplesmente canta todas as manhãs.
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