segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Dúvida

É o melhor momento pra escrever. Não que eu tenha escrever como um hábito, pelo contrário. Mas quando sento, pra escrever, e somente para isso(não faço outra coisa enquanto escrevo, nem ouvir música sou capaz)e estou como estou agora, ou seja em estado de exclamação neurótica, sai fácil.
Quero escrever uma história de amor, envolvendo família, um casal, um apartamento pequeno, com ventilador de chão. Quero escrever para me lembrar, que tudo isso existe, eu sei muito bem, por que graças a Deus, eu tenho tudo isso, o amor de uma família, um apartamento, só falta uma coisa, e que coisa chata de se falar. Quero falar de um romance possível, completamente irreal, uma mentira apaixonante, que faça chorar e rir, chorar de rir, quero uma mulher que sorri e chora, que não sinta o peso da vida, de leve que é, um homem livre, que sorri e chora, que não sente o peso da cobrança em suas costas largas, que esse peso nem exista, pelo amor de Deus, por favor que não haja peso, afinal é minha a história.
Ou quem sabe eu escreva uma tragédia, uma daquelas onde arrancam-se corações, dilaceram-se as famílias, não sei. Prefiro pensar numa comédia cínica, irônicazinha, quase repugnante com sua sobrancelha arrogantemente arqueada. Uma mulher que vive com o marido, na beira mar, e vive feliz pra sempre, até que ela percebe na véspera de sua morte que sua vida foi uma perda de tempo e que ela não fez absolutamente nada do que ela queria ter feito, resignada, ela já velha se olhava no espelho da penteadeira e se lembrava de ter abdicado e ter forçado. Fez o marido ceder, e ela própria se entregou, sem nem perceber, ainda se penteava, cheirava a lavanda e andava na moda, junto com seu marido caminhavam na praia, recebiam as visitas dos dois filhos, filhos que hoje, nessa véspera de morte dessa senhora grave ela lembra, com certa dor no ventre, a dor do parto, tudo voltou para a senhora. A abertura forçada das pernas, por onde vieram seus filhos, que a salvaram em muitas coisas, assim como fizeram com o pai, mas que muito doeram e muito custaram. A mulher dorme e não acorda. Ou acorda para sempre, como preferirem.

Nenhum comentário:

Postar um comentário